Globo perde ação na Justiça e é condenada após matéria no JN

A Justiça de São Paulo deu ganho de causa para uma família que processou a  por causa de uma matéria exibida no  envolvendo o óbito de um senhor vítima do coronavírus no ano passado, no início da pandemia.

Aos 63 anos, J.P era morador de uma cidade no interior paulista e morreu em abril de 2020. Dias depois da sua morte, o telejornal da Globo colocou no ar uma matéria sobre a região e tratou do tema.

Segundo o , o processo foi aberto pela viúva e os filhos do veterano. Eles sofreram represálias nas ruas por causa da reportagem. Na ação, o advogado deles informou:

“Os autores [do processo] foram alvos de especulações e discriminação, principalmente em estabelecimentos de uso rotineiro como banco, lojas e mercados, já que as pessoas cochichavam entre si e se afastavam deles, devido ao medo da doença”.

A defesa ressaltou que nenhum membro da família autorizou o uso da imagem do senhor de idade. “É um direito dos requerentes não querer ver a imagem do ‘pai da família’ ser exposta e vinculada a esse tipo de situação, devendo ser respeitadas a intimidade e a privacidade”, destacou.

Globo se defende da acusação contra matéria do JN

Para a emissora líder de audiência, “foram divulgados fatos verdadeiros e de notório interesse coletivo”, e acrescentou:

“Além disso, o conteúdo da reportagem não é pejorativo, muito pelo contrário, e não foi proferido absolutamente nenhum juízo sensacionalista”.

A empresa de comunicação salientou que “a liberdade de imprensa é garantida pela Constituição”. O juiz Marcos Vinicius Krause Bierhalz entendeu que a Globo não levou como relevante “os sentimentos da família”, e frisou: “Houve abuso do direito de informação com a violação ao direito de imagem do morto”.

“A escolha da veiculação do nome e da fotografia de uma única vítima naquela reportagem tem caráter puramente sensacionalista, impondo profundo sofrimento e sentimento de irresignação aos familiares”, concluiu.

Mesmo com a decisão do magistrado, a TV da família Marinho pode recorrer da decisão.

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