'Golpe acabou com a Petrobrás', diz Guilherme Estrella

Matérias Oficiais(+10% Clicks) - Aline 29/06/2021 Relatar Quero comentar

'Pai do pré-sal' crítica política para o petróleo pós-2016 e propõe a reconstrução da companhia

O jornalista Breno Altman entrevistou Guilherme Estrella, geólogo e ex-diretor de Exploração e Produção da Petrobrás, conhecido como "O pai do pré-sal", por ter comandado a descoberta e exploração da principal reserva brasileira de petróleo.

Para ele, "o golpe de 2016 acabou com a Petrobrás", pois ela perdeu as características de empresa estatal.

"A Petrobáas não é só o pré-sal e as refinarias. Carrega em si o movimento do povo brasileiro nas ruas, exigindo que o petróleo fosse nosso. Expandiu-se por todo o território nacional, abarcou toda a cadeia produtiva do petróleo, a indústria petroquímica, estava junto à população, impulsionando a cultura, o esporte, gerando empregos. Tudo isso acabou. A Petrobrás já não participa do crescimento integral do Brasil", lamentou Estrella.

Segundo ele, os fatores que levaram a esse desmonte foram: o fim do sistema de partilha, a remoção da empresa como operadora única - proposta do senador José Serra (PSDB-SP) -, e o "decreto do trilhão", que isentou as empresas operadoras de impostos de importação.

"O fim do marco regulatório, que colocava a Petrobrás como operadora única, rompeu com um dos pilares do que é uma empresa estatal. E ao isentar as empresas operadoras de impostos de importação, mataram o conteúdo nacional, a nossa política de desenvolvimento industrial. Deixou de ser uma empresa petrolífera no governo [Michel] Temer e este governo a transformou num fundo de investimento", argumentou o ex-diretor.

Ele disse, entretanto, que não acredita que a Petrobrás seja irrecuperável. Para Estrella, desde 2016, o Brasil vive governos ilegítimos, de modo que não se pode considerar "os atos cometidos contra a Petrobrás como constitucionais"

"Estamos sob um governo de ocupação civil instalado para servir aos interesses e objetivos de um país estrangeiro. Isso precisa ser revertido por meio de plebiscitos revogatórios", defendeu.

Reestruturando a Petrobrás

Além de um plebiscito revogatório, Estrella detalhou quais as medidas a serem revogadas e refletiu sobre quais outras devem ser adotadas para reestruturar a estatal.

"Energia é soberania nacional. A venda de ativos estratégicos da Petrobrás atenta contra a soberania nacional. A venda da distribuidora BR, que é a nossa presença no mercado interno, não atende à Constituição de 1988. As duas coisas precisam ser revertidas", citou.

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