Pandemia leva desempregados a abrir negócio por necessidade, não vocação

Matérias Oficiais(+10% Clicks) - Aline 30/06/2021 Relatar Quero comentar

O que fazer após perder o emprego em plena crise? Começar um negócio se tornou a única saída para muitos brasileiros na pandemia. Esse movimento, também chamado de empreendedorismo por necessidade, foi encabeçado por pessoas como Rejane Santos, 49, que passou a vender, em São Paulo, pratos típicos da culinária popular cearense depois de ser demitida em março do ano passado.

"Para mim, com quase 50 anos, foi muito difícil. Entrando na menopausa, a cabeça estava a mil. Passei um monte de dias deitada, pensando, fiquei até um pouco depressiva", diz Santos, que trabalhava como auxiliar de cozinha em um restaurante na capital paulista.

Crescem negócios por sobrevivência Segundo a pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor) 2020, o número de empreendedores iniciais (negócios criados a menos de 3,5 anos) motivados por necessidade saltou de 37,5% (2019) para 50,4% (2020), o mesmo nível de 18 anos atrás. Entre os empreendedores nascentes (negócios com até três meses de atividade), a proporção de empreendedores por necessidade saltou de 20,3% (2019) para 53,4% (2020), o mesmo nível de 19 anos atrás.

Já pensa em comprar casa própria Enquanto recebia o seguro-desemprego, Rejane passou a atender pequenas encomendas de comidas típicas, feitas por meio do seu Instagram pessoal. Aos poucos, a sua culinária "afetiva" foi caindo no gosto de conterrâneos que passaram a compartilhar sua história.

Em poucos meses, a cearense viu nascer uma rede de clientes que impulsionou a criação do "Sabor do Nordeste".

"Eu até já vendi comida na calçada de casa, lá no Ceará, mas aqui em São Paulo era inimaginável para mim um dia ter esse público, que gosta da nossa comida. E é um orgulho porque eu sei que também estou difundindo a nossa cultura

O pontapé inicial contou com a ajuda de familiares e amigos, que também ficaram desempregados. Enquanto Santos ficava responsável pelos quitutes, as filhas e os genros faziam atendimento e entrega.

Neste mês, a cearense comemora o balanço positivo de um ano de negócio, o qual lhe permitiu ajudar a mãe no Ceará, pagar dívidas e as aquisições feitas para dar conta das encomendas, como uma geladeira mais espaçosa.

Clique na segunda página para continuar navegando
Comentário do usuário