Reforma do Imposto de Renda muda a cabeça do investidor... além do bolso

Matérias Oficiais(+10% Clicks) - Aline 12/07/2021 Relatar Quero comentar

Unificação de alíquotas em 15%, independentemente do prazo, e tributação dos dividendos mexem com a psicologia do investidor

A proposta de reforma do  Imposto de Renda entregue pelo governo ao Congresso deve afetar não apenas o bolso dos investidores, mas também a cabeça. Do ponto de vista da  psicologia econômica, caso seja mantida a ideia de se  unificar a alíquota para todas as aplicações financeiras em 15%, independentemente do período do investimento,  algumas pessoas podem resgatar o dinheiro mais rapidamente, enquanto outras podem se sentir estimuladas a investirJá o fim da isenção de dividendos pode causar pânico no mercado.

As medidas ainda necessitam ser aprovadas pelo Congresso Nacional. A ideia da alíquota única altera a tributação de ativos como títulos do  Tesouro DiretoCDBs e  fundos de investimentos, por exemplo, que atualmente têm alíquota de  22,5% a 15%, dependendo do prazo. Hoje, a menor alíquota é aplicada quando o dinheiro fica aplicado acima de dois anos, e a maior incide em resgates de até seis meses.

Os investidores podem decodificar essa informação de formas diferentes, conforme  Vera Rita de Mello Ferreira, autora da área de psicologia econômica há 27 anos, presidente-eleita da  Iarep (sigla em inglês para Associação Internacional de Pesquisa em Psicologia Econômica) e professora do curso do instituto  Vértice Psi.

“Aqueles que já acompanham mais de perto e captarem a mensagem podem se sentir com mais folga para contar com o dinheiro em menos tempo e  pagar menos pedágio”, afirma. Já as pessoas que se sentiam desconfortáveis de deixar o dinheiro aplicado por tanto tempo podem se sentir estimuladas a investir sem o impacto do imposto na decisão, na avaliação dela.

Aquiles Mosca, autor do livro “ Finanças Comportamentais” e responsável pela área comercial da gestora de investimentos do banco  BNP Paribas, vai por esse caminho. Na visão dele, a proposta é muito benéfica para os investidores porque simplifica a vida. “As pessoas estão sobrecarregadas de alternativas, nomenclaturas, palavras em inglês, cada uma com um tratamento tributário. É muito para a cabeça do investidor”, afirma.

Mosca observa que, na prática, a maioria das pessoas já saca o dinheiro antes de dois anos e que o estímulo do governo à aplicação de longo prazo acaba não contribuindo para o alongamento dos investimentos. “As pessoas estão interessadas em realizar o seu objetivo concreto da vida, não em esperar para pagar uma alíquota menor. Deve existir os Tios Patinhas que fazem conta na ponta de lápis, mas são a minoria”, diz.

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