Brasil encara recuperação fraca prejudicada pelo ritmo da vacinação, o desemprego e a inflação

Matérias Oficiais(+10% Clicks) - Aline 22/07/2021 Relatar Quero comentar

Pandemia freia a agenda liberal que agora o Governo de Bolsonaro tenta reativar com a privatização da Eletrobras e uma avalanche de licitações de infraestrutura. Atraso na negociação inicial das vacinas agora cobra o preço da retomada, apontam economistas

A sinalização de que a vacinação contra a covid-19 no Brasil finalmente ganha velocidade melhorou as perspectivas de crescimento econômico, em um panorama prejudicado pelo temor a uma terceira onda, o alto desemprego e uma inflação acelerada ―apesar da paralisação econômica pela covid-19. Após um aumento no PIB de 1,2% no primeiro trimestre, a agência Moody's prevê que fechará 2021 com um crescimento de 4,9%, o que significa uma melhora de suas previsões para a economia brasileira, que em 2020 caiu 4,1%.

A pandemia freou a agenda liberal que agora o Governo de Jair Bolsonaro tenta reativar com a privatização da Eletrobras e uma avalanche de licitações de infraestrutura. Mas o desemprego está em 14,7% (quase 15 milhões de desempregados) e a inflação avança velozmente enquanto o Executivo pensa em prorrogar por mais três meses o pagamento do auxílio emergencial aos mais pobres. Desde o primeiro minuto, Bolsonaro apostou em priorizar a crise econômica sobre a sanitária insistindo que "a fome também mata". E poucos dias atrás defendeu que se infectar é mais eficaz do que a vacina.

A pandemia freou a agenda liberal que agora o Governo de Jair Bolsonaro tenta reativar com a privatização da Eletrobras e uma avalanche de licitações de infraestrutura. Mas o desemprego está em 14,7% (quase 15 milhões de desempregados) e a inflação avança velozmente enquanto o Executivo pensa em prorrogar por mais três meses o pagamento do auxílio emergencial aos mais pobres. Desde o primeiro minuto, Bolsonaro apostou em priorizar a crise econômica sobre a sanitária insistindo que "a fome também mata". E poucos dias atrás defendeu que se infectar é mais eficaz do que a vacina.

O aumento de 1,2% registrado no primeiro trimestre surpreendeu. O Brasil, onde as restrições foram relativamente frouxas em comparação com a Argentina e o Chile, vai recuperando o fôlego após um 2020 marcado pela pandemia em que somente o setor agropecuário cresceu, impulsionado pelo real, que está entre as moedas mais desvalorizadas do mundo.

Bolsonaro e seu czar econômico, o ultraliberal Paulo Guedes, começaram seus mandatos em 2019 com uma agressiva agenda para diminuir o Estado. Fecharam esse ano com prestígio junto ao mercado financeiro por ter avançado com uma reforma da Previdência. A pandemia, entretanto, a deteve. A duríssima realidade os obrigou a uma mudança de 180 graus. Implantaram um dos maiores programas de ajudas públicas do mundo com um pagamento direto ao bolso de um terço dos brasileiros que freou de modo efêmero o aumento da pobreza, mas aumentou a dívida pública, que acabou 2020 quase em 100% do PIB. O Governo planeja agora estender durante mais três meses essa ajuda de emergência de 250 reais que 45 milhões de famílias recebem.

"O Governo concedeu ajudas emergenciais [o pagamento do auxílio], o que teve um efeito a curto prazo. Mas continuamos com escolas fechadas, não investimos em tecnologia e não nos preparamos para esse momento com políticas públicas para a mão de obra. Estruturalmente estamos pior", diz a consultora econômica Zeina Latif.

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